sábado, 23 de outubro de 2010

Evolução - por Carlos Mayer



Há 15 anos que trabalho com vinhos. Sempre vendendo. Mas durante esse tempo surgiram muitos cursos, muita degustação e muito aprendizado. Tratando-se de vinhos, obviamente também tive muitas alegrias, amizades e bons momentos.


Entre uma venda e outra, ou uma taça e outra, um tema que comumente surge é de como as pessoas evoluem no mundo do vinho. Tive a oportunidade de ouvir atento a depoimentos de pessoas impressionadas que deixaram de tomar o vinho doce – de garrafão – e que agora, com muito orgulho, apenas consumiam o vinho seco – também de garrafão.



 Outros relatam a mudança no gosto, que antes adorava um tipo colonial, mas que agora consegue tomar um “amargo” Cabernet Sauvignon. Outros ainda que consumiam vinhos de 10 reais e que agora, abaixo de 40 o vinho dá dor de cabeça. Nesse último caso, a evolução foi mais no bolso do indivíduo do que no paladar, mas tudo bem.


Acredito que essa evolução realmente exista. Uma prova disso é o fato do vinho ser um caminho sem volta. Quem acostuma com o seco não volta pro suave. Quem descobre o prazer de um vinho fino não volta pro vinho de mesa.

Exceções existem, mas são raras e apenas comprovam a regra. Mas será que o vinho pode dividir as pessoas dessa forma? Separando-as em mais ou menos evoluídas? Não é assim que se mede o quanto alguém aprecia o vinho. Conheço pessoas muito mais apaixonadas pelo vinho, mas que só consomem vinho de mesa, do que outras pessoas que só tomam grandes marcas, mas não são capazes de reconhecer o que estão bebendo ou muito menos diferenciá-lo de qualquer guaraná de rolha.


Chego à conclusão, com minha modesta experiência, que a diferença entre pessoas mais e menos evoluídas enologicamente não está no tipo ou preço do vinho que ela consome, mas sim no prazer que ela sente em tomá-lo.




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